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MÉDICOS CUBANOS NO BRASIL. VAMOS FALAR SÉRIO! COM A VIDA NÃO SE BRINCA.

Como é sabido, o governo federal pretende admitir que médicos cubanos venham atuar no Brasil, especialmente em áreas menos favorecidas economicamente e em municípios menores. Isso tem dado um enrosco danado, ante as reações a favor e contrárias à medida.

Eu não sou especialista na área, mas como meto meu nariz em tudo, lá vou eu.

Tenho amigos em todas as áreas, inclusive médicos, como é óbvio. Deles, em quem confio plenamente, escuto críticas a esse projeto, sempre fundamentadas, justificadas. Minha atenção foi originalmente chamada para o tema por um deles,Rodolfo Cambota, médico dedicado que não seria, como não será, atingido pela vinda dos cubanos. Logo, sua pregação é desinteressada do ponto de vista pessoal e tem foco na preocupação com os efeitos desse projeto sobre a saúde da população. Eu, que entendo muito menos do assunto e só li uma coisa ou outra a respeito, convenci-me do desacerto da medida proposta pelo governo.

Minha primeira e natural indagação, ao me deparar com o assunto, foi: por que os médicos cubanos, ou venham de onde for, não podem se submeter aos exames de proficiência a que todos os médicos que atuam no Brasil têm de fazer para o exercício da profissão? Eu tendo a achar que essa dispensa deve-se à medicina superada que se ensina por lá, sem acesso aos aparelhos e avanços tecnológicos importantes em qualquer área, especialmente na saúde. Vejam as fotos dos carros que circulam nas ruas cubanas: refletem bem o que ocorre quando um país adota um regime fechado, tirânico. Então, imagine-se, fazendo a comparação, como devem ser os aparelhos e recursos usados por lá na área médica?

Em suma e respondendo diretamente àquela primeira pergunta: esses médicos cubanos não seriam aprovados nos exames a que se submetem os médicos brasileiros, aqui formados. Não vai preconceito na afirmação, mas a constatação de um fato: os médicos cubanos não são selecionados por seu saber, seu conhecimento, mas sim por seu comprometimento com a “revolução” (sic). Aliás, brasileiros vão estudar medicina em Cuba. São selecionados por quem? Pelo MST e por outros ditos “movimentos sociais”. Há um vídeo rolando na internet, com entrevistas com esse pessoal. Deus permita que nem eu ou um filho ou parente meu precisem de atendimento médico com eles, que podem ensinar direitinho como funciona um sistema sem liberdade de ir e vir, tecendo loas à “solidariedade” e ao “socialismo”, mas de medicina mesmo, com aquele nível cultural, francamente…

Do contrário, se tais médicos são preparados (não são; vou achar o vídeo depois), a pergunta é óbvia: por que não fazem essas provas, ora? A única razão, ilegal e inconstitucional a meu ver (viola o princípio da igualdade), é uma ridícula e caquética ideologia barata, vencida e ultrapassada pelo tempo, mas a que os dinossauros se apegam ainda hoje, especialmente esses que se encontram no poder.

Eu, que tenho contato diário com advogados competentes e outros nem tanto, percebo claramente a diferença que faz ter um procurador bem preparado. Imagine isso em uma área tão sensível quanto a medicina, que lida diretamente com a vida da gente?

Ora, que se tragam médicos de Cuba, da China, dos EUA, da Inglaterra, da Espanha, venham de onde for. Eu até os acho bem vindos. Mas que se submetam aos mesmos critérios – e espero que sejam muito rígidos – a que se submetem os brasileiros. É assim nos EUA, aliás: médicos ingleses, australianos, etc., para praticar sua profissão por lá, têm de fazer uma prova, a mesma submetida aos médicos americanos. E eles têm a vantagem adicional de que nos países anglo-saxões (li hoje a respeito) os cursos de medicina têm currículos semelhantes. E nem por isso deixa-se de exigir a comprovação de conhecimento através dos muito severos exames de proficiência que fazem por lá.

Mas então, o que explica a falta de médicos nos pequenos municípios, carentes de profissionais na área? Bem, deve ser muita coisa. Municípios com prefeitos caloteiros, que prometem salários que não pagam e, depois, acionados na Justiça, têm toda margem de manobra para não cumprir o combinado ou para protelar ao máximo a quitação, com as teses do contrato precário e do pagamento por precatório, que leva uma eternidade. A absoluta falta de condições de praticar uma medicina eficaz, eficiente, ou seja, a falta de estrutura, o estado indigente de hospitais e material de trabalho, certamente afasta médicos sérios desses locais.

O problema é político e isso é evidente. Para dar um exemplo que me ocorre de chofre: se fosse aprovada uma lei pela qual o inadimplemento pelos municípios de contratos com médicos resultasse na imediata e cautelar suspensão do repasse de verbas federais para a área, eu tendo a achar que a situação já melhoraria um bocado. Ouçam-se os médicos que sugestões sérias aparecerão.

O governo federal, tão preocupado em implantar uma medida que levará aos interioranos médicos despreparados, ultrapassados, que vêm também para pregar a ideologia própria da tirania de onde procedem, poderia se valer de providências mais efetivas, como a garantia efetiva de remuneração do médico pelos municípios ou a obrigação de que os profissionais formados em universidades públicas cumpram certo período (um, dois anos, sei lá) no interior do país, em retribuição ao estudo gratuito, financiado pela população.

Ademais, é certo que os médicos cubanos trarão a reboque os “fiscais”, que os vigiam para que não desertem do governo tirânico que os tutela. É esse tipo de relação que queremos que vigore dentro do Brasil?

Enfim, essa medida é o fim da picada. O atendimento na área de saúde é o de pior avaliação do governo federal, segundo pesquisas feitas e divulgadas na imprensa. Então, adota-se essa medida eleitoreira, desavergonhada, que busca jogar nas costas dos médicos, cuja imensa maioria é de trabalhadores sérios, a culpa pelos desmandos da área, muito mais ligados à organização do Estado e aos políticos que o dirigem.