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DIREITO DE MANIFESTAÇÃO NÃO COMBINA COM DEPREDAÇÕES, QUEBRADEIRAS, INVASÕES – ISSO É COISA DE BANDIDOS E COVARDES.

Vejam a foto que ilustra esta publicação: mostra a agressão de vândalos mascarados a um policial desarmado, cena que me causou asco, pela forma como aconteceu, e admiração, pela reação do policial. Isso me motivou a escrever este texto, que talvez fique longo, vamos ver.

Quando em junho houve as manifestações de rua, bem no começo, era bacana: em regra, tratava-se de gente que expressava a cidadania e pedia mais transparência no trato com a coisa pública. Ali, minhas restrições eram apenas a alguns itens da pauta, que me pareciam populistas, irreais, mas nem entro nesse mérito aqui. Todavia, muito rapidamente as manifestações foram tomadas – todas, mesmo aquelas mais legítimas e bem intencionadas – por arruaceiros, vândalos, que saíam quebrando o que tinham pela frente. Nunca mais cogitei participar das passeatas, que passaram a atrair a atenção da imprensa e dar divulgação a cenas lamentáveis proporcionadas por verdadeiros bandidos travestidos de manifestantes. A situação piorou muito de lá pra cá.

Esse tal movimento black bloc – nada além da institucionalização do crime, da arruaça, do vandalismo -, composto por um bando de covardes ignorantes (em todos os sentidos que possui essa palavra), agora vai às ruas com objetivos claros: não só destruir o patrimônio alheio, público ou privado, mas ainda agredir os que têm por função coibir esses atos, a polícia. Sim, a polícia, tão demonizada nesses dias. Afinal, o que é a polícia? Obviamente, é composta de cidadãos de farda, de modo que há, ali, os bons e os maus, os corretos e os incorretos. A maioria, porém, não tenho a menor dúvida, é composta de pessoas honradas, que vão às ruas em missão que implica o risco pessoal, físico, a fim de, em tese, proteger a vida, a incolumidade física e o patrimônio de todos. Em países avançados, essa é uma missão nobre, apreciada e valorizada. O Brasil ainda vive os resquícios da ditadura militar, em que as forças policiais, a “repressão”, eram encaradas com justificada desconfiança, por serem agentes de uma ordem totalitária, antidemocrática. Ora, os tempos mudaram, a democracia é uma realidade e agora a “defesa da ordem vigente” é algo absolutamente legítimo. Todavia, por conta dessa visão distorcida, entre nós, lamentavelmente, a quebradeira e os óbvios excessos dos vândalos são, por vezes, celebrados na imprensa pelos “entendidos” e “progressistas”, ao passo que a repressão policial contra esse bando não raro é criticada e apontada como feroz, estúpida, excessiva. Que tempos são esses??

Eu perguntei, eu mesmo respondo (claro, ninguém precisa concordar): vivemos tempos em que bandidos, vândalos, depredadores, protegidos por anonimato, fazem o que bem entendem, à margem da lei: invadem propriedade privada, quebrando o que houver pela frente, destruindo o que lhes incomodar, roubando o que lhes interessar. Aconteceu, pra ficar num exemplo recente, na invasão daquele laboratório no Estado de São Paulo. Ainda que tivessem total razão no que alegam – e não creio que tivessem -, obviamente não é este o caminho democrático. Afinal, não exitem leis nos país? Para esses herois (eles se enxergam assim), não. O pensamento vigente é: se a causa é boa, é justa, segundo a avaliação suprema que eles mesmos fazem, então eles vão à luta e botam pra quebrar;  é justiça de mão própria mesmo. Retornamos quase ao estado mais primitivo da civilização, da autotutela, do justiçamento privado. A lei é só um detalhe, a ser ignorado solenemente.

Aliás, quem marcha ao lado de black blocs e congêneres,  ou mesmo aceita sua companhia, não faz mais que apoiar, ostensiva ou tacitamente, esse chamado ao caos. Daí eu me espantar e entristecer que até mesmo professores – eu sou um, aliás – aceitem, declarem apoio e sigam juntos com marginais em protestos e passeatas, como ocorreu no Rio de Janeiro, com o desenlace violento de sempre. Nem sempre, nota-se, professores e educadores são sinônimos.

O resultado desse clima foi mostrado na tal fotografia a que antes me referi e que me chocou: manifestantes em São Paulo, covardes mascarados, agrediram brutalmente um policial desarmado. Isso mesmo: em São Paulo, até esta semana, ante a pressão oriunda da abordagem sensacionalista e distorcida da imprensa, os policiais só podiam portar cassetetes, eis que proibidos até mesmo do uso de balas de borracha. Com isso, tinham de enfrentar a fúria de loucos com bombas, coquetéis molotov, placas de ferro, o diabo a quatro. E como reagiu o policial, covardemente agredido? Ordenou expressamente a seus comandados, enquanto era levado ao hospital: “Segura a tropa, não deixa a tropa perder a cabeça”. Enfim foi algo impressionante. Eu recomendaria a quem se interessar que lesse a reportagem a respeito, cujo link se encontra abaixo.

Eu costumo pensar e lembrar que a polícia atua democraticamente: são a representação fardada do poder instituído legitimamente, e legalmente a única instituição que tem a prerrogativa do uso da força, quando necessário. Ainda que se reconheça a ocorrência de eventuais abusos, a demonização da polícia apenas atende ao interesse desses marginais, bandidos, black blocs e quetais. Talvez seja essa uma visão conservadora (e nem por isso errada), mas a contrária leva ao caos. Repito: o apoio e mesmo o silêncio em relação a movimentos desse naipe, além de contrariar o bom senso expresso pela expressiva maioria dos brasileiros (vide pesquisa retratada na reportagem anexa), contribui efetivamente para tais ações. A mim, é inevitável pensar, quando leio ou ouço “pensadores” a elogiar ou justificar a quebradeira: “duvido que sustentem isso, quando a senha destrutiva, a violência irracional, os alcançar.”

Por fim, fico feliz ao ler, hoje, que uma pesquisa indica que 95% da população repudia a ação de vândalos e covardes sem farda, sem rosto, sem argumentos – e infelizmente, por ora, sem punição efetiva. Não aceito – e, que bom!, a população também não – o argumento falacioso de que a quebradeira se dá pela revolta, pela exclusão social, etc. Nós não vivemos numa ditadura, mas numa democracia. Há meios legítimos de exercício das reivindicações, diferentes de invadir, depredar e quebrar. Ler essa pesquisa me alegrou um bocado e bem poderia servir de alerta aos poderes instituídos: os brasileiros, como regra, não apoiam esses depredadores, antes os repudiam e desejam efetiva punição para essa corja.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/135840-coronel-da-pm-e-espancado-por-black-blocs-em-protesto.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/136032-95-desaprovam-black-blocs-diz-datafolha.shtml