ARTIGOS, NOTÍCIAS

Desabafo de um cidadão indignado.

Os amigos provavelmente conhecem a história, cuja autoria desconheço, assim resumida: “Na primeira noite eles se aproximaram e roubaram uma flor do nosso jardim e não dissemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.”

Essa situação, tão bem retratada nesse curto texto, inspirou-me a escrever esse artigo. Passa-se o seguinte: uma sucessão de notícias revoltantes foi paulatinamente tirando-me do sério, roubando-me a paciência, despertando a vontade de me exprimir de algum modo. No entanto, a cada vez eu mantive-me calado, guardando comigo a vontade de gritar, protestar, reclamar. Narrarei como tudo ocorreu.

Há uma semana li que as contas públicas não apresentavam um resultado tão ruim desde 1996. Fiquei preocupado, mas não me espantei: como acho o governo petista um primor de inépcia, ineficiência e incompetência técnica, francamente eu já esperava. Depois de surfar na onda de crescimento global dos anos 2000, o Brasil vai enfrentar a realidade e pagar o preço da farra da companheirada. A ver. De todo modo, ante a impotência que assalta o espírito mesmo do cidadão nestes dias, preferi calar.

Li a seguir que em Salvador um grupo ligado ao MST, aliado de primeira e de todas as horas do PT, cercou e ameaçou invadir uma secretaria estadual de governo. Acuado, o secretário petista não titubeou: sacou o revólver e deu tiros para o alto, a fim de afugentar os invasores. Agora, imaginem o escarcéu se a mesma cena se passasse com um secretário ou governante da oposição atirando ante a ameaça de invasão de um movimento social… Sendo do PT, o fato quase não foi divulgado, antes foi encarado com naturalidade.

Depois, li que o prefeito de São Paulo desativou os programas de combate ao crack no centro da Capital paulista, devolvendo a área aos consumidores, verdadeiros zumbis ambulantes, sem a menor consciência de seus atos, que afugentam qualquer pessoa de bem daquelas redondezas. Fiquei quieto de novo.

A seguir, soube que o Sr. José Dirceu, um dos líderes de fato do partido governista – e que possui o currículo singelamente definido pelo STF: corrupto e quadrilheiro – segue fazendo das suas. Desta vez, a namorada do “herói do povo brasileiro”, como bradado pelos petistas, obteve um carguinho em comissão no Senado, onde receberá pouco mais de doze mil reais mensais. Para esses mártires, tão dedicados e preocupados com o bem estar do povo brasileiro, princípio da impessoalidade é algo inexistente, moralidade então nem se fala, e concurso é coisa para idiotas que perdem seu tempo estudando. Ainda assim, deixei pra lá. Ao conhecer as peripécias do proclamado chefe da quadrilha do mensalão, recordei-me da amante de Lula (por que tanto pudor em qualificar o que todo mundo sabe que aconteceu?), que decorou o escritório político da Presidência da República, em São Paulo, com fotos do ex-presidente jogando futebol e em outras atividades, em acintoso e descarado desvio de finalidade. Acusada de tudo que é tipo de malfeitos, como diria a Pres. Dilma, ou maracutaias, como o próprio Lula, a moça aparece assistida e defendida por uma batelada de advogados, sempre dentre os mais caros e renomados do Brasil, e guarda obsequioso silêncio sobre as mutretas de que tomou parte. Quem paga os honorários caríssimos desses advogados? Ah, isso não é da conta de ninguém… Melhor deixar quieto, pensei de novo.

Descobri então que o presidente do CADE é oficialmente filiado ao PT paulista (dados da Justiça Eleitoral) e foi assessor de um parlamentar do partido. Escondeu deliberadamente esses fatos do público, ao apagar a informação de seu currículo quando assumiu a titularidade do órgão. Por “coincidência”, o CADE, sob sua administração, vazou reiteradamente informações sigilosas de um processo que apurava desvios em concorrências envolvendo a empresa alemã SIEMENS, em que o principal acusado era o governador de São Paulo, notório adversário petista e seu alvo preferencial nas próximas eleições. A empresa aparentemente praticou desvios em todo o Brasil, inclusive com o governo federal, mas curiosamente só vazaram para a imprensa fatos desabonadores ao governo paulista, tudo vindo do processo “sigiloso”, sob o comando, sabe-se agora, de um petista de carteirinha. O CADE, órgão técnico, deveria estar infenso à influência e nomeações políticas e, mais ainda, a comando partidário, mas quê! “Bem, melhor largar mão disso”, pensei com meus botões.

Acabou a sucessão de notícias ruim? Que nada! Que tal mais essa: após quinze anos de queda na taxa de analfabetismo, pela primeira vez o país registrou aumento percentual no numero de analfabetos. E não foi a oposição quem o afirmou: os dados são oficiais e constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada em 2012 e divulgada pelo IBGE. Nem assim eu disse nada, mas que a língua coçou, coçou.

Em frente: com o processo do mensalão chamando a atenção para o STF, espraia-se a impressão ou convicção de que a mais alta Corte de justiça do país parece cada vez mais aparelhada, Toffoli e Lewandowski à frente da tropa de choque do governo e seus protegidos, ai de nós! Temi ainda, pelas primeiras entrevistas, que o novo Procurador Geral da República dirija seus ímpetos acusatórios à oposição. Receio que o PT tenha invejado o ex-presidente FHC, em cujo mandato o então Procurador Geral da República recebeu a alcunha de “engavetador”, pois os inquéritos contra o governo simplesmente não andavam. Aliás, o novo Procurador Geral mal assumiu o cargo e já mandou ver: numa de suas primeiras medidas, em afronta clara às manifestações contra o desperdício de dinheiro público, fixou que membros do MP só viajam de avião na primeira classe! Muito bem, o povo aplaude, não? Assim, segue em curso e em marcha acelerada a degradação das instituições do país, o mal maior que os governos petistas têm causado ao país. O Legislativo não cumpre praticamente nada do que lhe compete, tornando-se um mero apêndice do Executivo. E o Judiciário, como visto, segue paulatinamente na mesma senda.

Aliás, no Poder Executivo mesmo, que tal o que se passa no Ministério do Trabalho? Ali, um grupo político assaltou os cofres públicos uma vez. Pegos com a boca na botija, foram desalojados pela Presidente, que dizia “não admitir malfeitos”. Muito bem, muito justo! Ela ganhou popularidade com o aparente repúdio e combate à corrupção ministerial, embora tivesse sido ela própria quem nomeara os corruptos. Passa o tempo e, em troca de apoio político, quem ela nomeia de novo para o Ministério do Trabalho? O mesmo bando (literalmente!) que desviou mais de 400 milhões de reais de recursos públicos. Quem aguenta? Eu aguentei, caladinho.

Tem mais: foi noticiado que no Distrito Federal o PT, que dá as cartas no Tribunal de Contas local, trabalhará pela aprovação das contas do ex-governador José Roberto Arruda, um político da pior estirpe, apanhado no pulo mais de uma vez: fraudador do painel do senado, parlamentar cassado e expulso de seu partido, após ser filmado recebendo um bolo de dinheiro de origem ilícita. “Cuma?”, perguntaria Didi Mocó. O PT aprovará as contas do governo comprovadamente corrupto de seu inimigo histórico e ferrenho em Brasília? É possível? Pode isso, Arnaldo? Bem, é isso mesmo! Acredite quem quiser, assim ocorrerá para que o ex-governador, futuro candidato a Deputado Federal, apoie o projeto de reeleição do governador petista do DF, Agnelo Queiroz. Vamos comprovar tudo em breve: as contas serão aprovadas e Arruda apoiará a candidatura do atual governador. Isso me deu nojo, cheguei quase no limite, mas permaneci inerte.

Não me conformei, em seguida, e quase estourei, quando li a reportagem cuja primeira frase bem resumia tudo: “Líderes comunitários filiados ao PT usam critérios políticos para gerir a maior parte dos R$ 238,2 milhões repassados pelo programa Minha Casa Minha Vida a entidades para a construção de casas populares em São Paulo.” Com que então, para participar e receber os recursos do programa público é preciso ser filiado ao partido? É, a confusão entre partido e Estado chegou ao extremo. Gramsci perde, pra quem me entende…

Agora, chega! Não dá mais, não aguento. Perdi as estribeiras com a seguinte manchete de em um site de notícias: “Em 5 ministérios, nomeados para cargos de confiança são mais da metade do quadro de funcionários.” Em cinco ministérios há mais apaniguados que servidores concursados! Isso é um acinte, uma falta de vergonha e responsabilidade. A “companheirada” tomou o poder mesmo, de todos os modos, incluídos os mais vis possíveis. O país está mesmo à deriva, cruz credo. E quem faz concurso, quem estuda, pode colocar o nariz de palhaço para enfeitar sua cara de trouxa.

O que fazer com tudo isso, ante a perspectiva nada irreal de reeleição desse grupo encastelado no poder? Sei lá, espernear, denunciar, debater. Talvez publicar um artigo e sujeitar-se às críticas dos beneficiados por tanta bandalheira. Ou, na impossibilidade ou ineficácia de qualquer ação, só resta mesmo gritar, ainda que ao vento e sem muita esperança: SOCORRO!!!!!