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DE NOVO, O PROGRAMA MAIS MÉDICOS, QUE – TUDO O MAIS CONSTANTE -, PARA ARREMATAR, SE NADA FOR FEITO, AINDA ACARRETARÁ A DISPENSA DE MÉDICOS BRASILEIROS EM PEQUENAS CIDADES.

Disse e reitero que, no escandaloso acordo feito com o governo cubano, o governo brasileiro aceitou e contribuiu com a precarização das relações de trabalho, chancelou a terceirização ampla e irrestrita das relações de trabalho para beneficiar financeiramente uma ditadura, abonou o trabalho análogo à condição de escravo (já que os trabalhadores não recebem pelo trabalho e têm restringido seu direito de ir e vir) e violou a Constituição e as leis do país de forma miserável. 

O objetivo de tudo isso poderia ser, numa visão que reputo muitíssimo inocente, apenas o de beneficiar a população carente, dos rincões do país, desassistida de médicos. A meu ver, trata-se de medida demagógica, populista, eleitoreira e que tem por objetivo lateral – ou é ao menos uma consequência incontestável – mandar recursos a Cuba, que tem mais dividendos com esse tipo de programa do que com as receitas com turismo, por exemplo.

No entanto, suponhamos que eu me engane e o que se pretenda mesmo é melhorar o atendimento ao cidadão carente. Nesse caso, é de se questionar: então os fins justificam os meios? Pode-se fazer toda sorte de bandalheiras para que, afinal, melhore-se (duvido!) as condições de saúde do brasileiro? Ora, a saúde vai mal no país, assim como a educação, a justiça, o transporte, a ciência, etc. Ou não? Será que então vamos tratar de ignorar a Constituição, as leis e tudo o mais também nessas áreas?

Bem, atenho-me ao caso específico. Não tenho nada contra cubanos, por que teria? Os tais médicos cubanos parecem-me vítimas de um sistema que lhes aprisiona e condiciona as vontades e escolhas. Em regra suponho-os pessoas dignas e que merecem respeito. Eu repudio os vândalos que vaiam e agridem moralmente (senão fisicamente) esses profissionais. É apenas mais um ato vergonhoso e sintomático da degradação de valores em nosso país.

Nada obstante, não dá pra compactuar com a sucessão de descalabros que esse convênio abrange. Diferentemente dos demais médicos estrangeiros que atuarão em nossas terras, os cubanos, como se sabe, não receberão os salários em suas contas correntes. Arma-se uma cipoal de intermediários e um emaranhado de desculpas buscando justificar o injustificável. Abaixo, indico dois links em que se relata que, do montante global de 510 milhões, aproximadamente 490 milhões de reais NÃO REVERTERÃO aos profissionais. Você não leu errado, é isso mesmo. Ah, sim, os sites são OFICIAIS, do governo brasileiro. E aí? Opa, ia me esquecendo: no acordo, consta que quaisquer ações judiciais decorrentes do programa serão suportados pela União. Bacana, né?

Enfim, nosso governo não gosta, definitivamente, de cubanos, mas ADORA, ama de paixão, aquele governo sanguinário e ditatorial (verdade ou mentira?), no poder à força há mais de cinquenta anos. Mas nossos supostos democratas, progressistas, esquerdistas, fazem vista grossa a tudo isso.

Ah, sim, não vou cansar ainda mais aos que bondosamente chegaram até aqui, mas o terceiro link abaixo remete à reportagem que relata a dispensa de médicos, por municípios brasileiros, trocados por profissionais contratados através do Programa Mais Médicos, pagos pela União. Não é falácia: há o nome dos municípios em que ocorre, nome de médicos substituídos e até prefeitos justificando a medida.

Abraços a todos, bom domingo.

http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/arquivos/pdf/2013/Ago/27/OPAS_1_2_27082013.pdf

http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/arquivos/pdf/2013/Ago/27/OPAS_27022013.pdf

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/index-20130830.shtml