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COMISSÃO DA VERDADE (??) E A NOVA TENDÊNCIA: EXUMAR CORPOS PARA COMPROVAR ASSASSINATOS DE EX-PRESIDENTES. TEORIA DA CONSPIRAÇÃO PERDE!

A tal “Comissão da Verdade” do governo federal – um troço patético já de início, pela evidente impossibilidade de decretar e impor uma “verdade oficial”, ditada por pessoas selecionadas a dedo para impor e preservar “valores” do grupo ora no poder – agora já perdeu completamente a noção do ridículo. A mania da hora é desenterrar e exumar cadáveres sepultados há anos, na tentativa de provar suas teses mirabolantes.

Primeiro foi com o ex-Presidente João Goulart. Desenterraram por engano outras pessoas, até que finalmente localizaram-se os restos mortais de Jango. Pra quê? Ora, para insistir na tese de que ele foi assassinado, e não morto por causas naturais. Ora, quando ele morreu, já não representava o menor risco ou ameaça ao regime ditatorial então vigente, que não tinha motivos para matá-lo, nem há qualquer indício de crime relacionado à sua morte. Por ora, a pantomima, aparentemente, não deu o resultado esperado.

A última, agora, é a tese de que JK teria sido assassinado. Pretendem exumar o corpo do motorista do automóvel em que o ex-presidente estava quando do acidente fatal, para provar que o condutor levara um tiro na cabeça, razão do acidente. Não contavam com a filha do motorista, advogada, que deu um basta a essa orquestra de aproveitadores. A moça não é boba. Vetou a exumação dos restos mortais de seu pai, dizendo: “Foi um acidente. Essa tese do tiro é muito primária para mim, que sou advogada. Não quero que entrem mais na vida do meu pai. Estão invadindo a nossa privacidade”. Aparentemente, ela sabe onde está pisando e com quem está lidando, dada a seguinte declaração:”Se eles pegarem os restos do meu pai e levarem para São Paulo, quem garante que não vão colocar um tiro lá?”, questiona. Em arremate, disse: “Seria mais confortável para mim se eu comungasse com essa tese. Eu até poderia pedir indenização do governo, mas meu pai me ensinou que a mentira prende e a verdade solta. Meu pai não levou tiro”.

Com efeito, ela poderia se aproveitar da farra de aproveitadores beneficiários de indenizações milionárias do Estado, que a “Comissão da Anistia” concede a supostas vítimas da ditadura militar – especialmente àqueles que nunca lutaram por democracia coisa nenhuma, mas sim por outro tipo de ditadura. A rigor, é pior: muitos dos que recebem as polpudas indenizações, basicamente, não tiveram o menor prejuízo material com o regime de exceção. Ao contrário, notabilizaram-se pelas críticas ao regime militar, foram admirados e ganharam a vida com isso, para adiante pedir indenizações – e as recebem, desde que simpáticos ideologicamente ao governo ora vigente. É lapidar a frase do grande e saudoso Millor Fernandes, sobre os críticos do regime militar, agora agraciados com vultosas indenizações : “Não se lutava por ideais; não era ideologia, era investimento.” E ele próprio, eticamente, dispensou a graça.

Então é isso: o Brasil está engajado na “solução” de seus problemas… dos anos 60 e 70 do século passado!! É de lascar!

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,filha-de-motorista-de-jk-refuta-assassinato-,1107420,0.htm